Nota da Pastoral do Menor da Arquidiocese da Paraíba sobre a tournée na Europa de adolescentes e jovens do CEFEC de Marcos Moura Santa Rita/PB, com um recital inspirado na Encíclica “Laudato Si

A Pastoral do Menor da Arquidiocese da Paraíba saúda com grande alegria os adolescentes e jovens do Centro de Formação Educativo Comunitário – CEFEC do bairro Marcos Moura do município de Santa Rita/PB que, acompanhados por um grupo de educadores/as, viajarão nos próximos dias para o Estado de São Paulo, a Itália e a França para levar um recital totalmente pensado e elaborado por eles com a coordenação de Rodrigo Bauma. A apresentação se inspira na Laudato Si, Encíclica de Papa Francisco sobe o Cuidado da Casa Comum. Durante a tournée está prevista também uma apresentação no Vaticano na presença de Papa Francisco.
A iniciativa tem grande valor simbólico que merece ser salientada:

  1. Parte de um projeto social que nasceu da comunidade e acontece na comunidade com recursos humanos da própria comunidade graças à generosidade das Irmãs da Providência, sobretudo da Irmã Antonietta de Defrancesco, de saudosa memória, que foi a fundadora. Há 15 anos, o CEFEC, inspirado nos valores do Evangelho e no Projeto pedagógico da Pastoral do Menor, presta um precioso serviço à população infanto-juvenil do bairro Marcos Moura, na periferia de Santa Rita, na linha da garantia dos direitos, do incentivo do protagonismo e do exercício da cidadania.
  2. É uma ação que vê como protagonistas adolescentes e jovens de um bairro “maltratado” pela ausência de estruturas e políticas públicas, que é conhecido mais pelas suas carências do que pelas suas riquezas. Na realidade, Marcos Moura como todas as outras comunidades de periferia, apesar dos problemas e desafios que apresentam, são verdadeiras minas de ouro, onde se acumulam reservas inexauríveis de talentos que aguardam oportunidades para mostrarem toda sua beleza e riqueza. Estes jovens cansaram de esperar e tomaram iniciativa. Foram conquistando seu espaço. Alcançaram visibilidade não nas páginas da crônica policial para onde setores da sociedade querem relegá-los, mas subindo no palco da vida, com humildade e, ao mesmo tempo, ousadia, – como “atores protagonistas” de uma história cheia de esperança. Estas meninas e meninos, como todos/as os outros/as que frequentam os núcleos da Pastoral do Menor e de outras organizações sociais presentes nos territórios periféricos para preencher o vazio deixado pela ausência do poder público, são a prova contundente das maravilhas que eles/as são capazes de realizar quando tomam o controle da própria vida, reivindicam o que lhes pertence de direito e apostam em projetos de vida que valem de verdade.
  3. É uma injeção de esperança. Quando a violência cresce assustadoramente e invade os centros educativos espalhando terror e, ao mesmo, tempo, provocando reações igualmente violentas quando se pensa em enfrentá-la através da “militarização” das escolas, eis que um projeto social localizado num território cheio de conflitos mostra que ainda tem como insistir na construção da paz “desarmadamente”, utilizando as ferramentas da acolhida, do diálogo, da valorização dos talentos e do cuidado. Cremos que o Mundo Novo seja ainda possível, mas que este não virá dos centros de poder e com o uso da força, mas das periferias, através do lento, mas eficaz caminho da paz, da solidariedade e cuidado, assim como nos monstra a experiência de Jesus quando optou de vir ao mundo na periferia de Belém. A estrela que ilumina o caminho de quem deseja mudar o mundo aponta para o Menino de Belém deposto na manjedoura, desarmado e revestido de fragilidade para dar vida à revolução da ternura, a única em que vale a pena se engajar para garantir a sobrevivência da humanidade. Desejamos que estes meninos e meninas, inspirando-se no Menino Jesus, se tornem estrelas que apontam para a caminho certo que é a vida com dignidade para todos/s.
  4. Enfim, é uma profecia. A viagem do CEFEC é um acontecimento que deve ser enquadrado na linha da profecia. A partir de Marcos Moura, do Sul do Mundo, estes/as jovens vão ao Norte do Mundo para contar suas histórias de vida e para compartilhar suas riquezas em pé de igualdade. Não vão para fazer turismo ou pedir ajuda, dinheiro, emprego…, como muitas pessoas obrigadas a deixar suas terras de origem em busca de melhores condições e vida, mas para anunciar o Evangelho, para ajudar aquela parte do mundo a entender que só o paradigma do Amor e do Cuidado salva o mundo e em qualquer parte do mundo.
  5. Obrigado ao CEFEC e a todas as pessoas que contribuíram para o êxito desta iniciativa. Deus abençoe esta missão de paz e esperança.
  6. Acompanhemos com nossa oração e afeto para que tudo dê certo. São Luiz Scrosoppi, fundador da Congregação das Irmãs da Providência, interceda por todos/as.

Marta, Socorro e pe. Xavier
Coordenação da Pastoral do Menor
Arquidiocese da Paraíba

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